quarta-feira, 26 de agosto de 2009

A maratona para o "sim" (Revista Veja)

Do noivado ao altar, a vida da noiva é fazer regime, tratar a pele, retocar defeitos e ainda aprender a cantar e dançar


Sandra Brasil
Fotos Jader da Rocha
Farfus e Elirane: aulas de dança e fendas na saia para arrasar na festa, que teve até iniciais no sapato


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Quadro: Operação de guerra
Arrumar o cabelo, fazer maquiagem, pintar as unhas, talvez uma massagem para relaxar. Quem acha que esse é o tipo de agenda lotada da moça que passa o dia inteiro se aprontando para desfilar até o altar está atrasado no tempo e no espaço. Atualmente, um único "dia da noiva" não dá nem para o começo. Com tantos tratamentos para experimentar, tantas celebridades para imitar, tanto desejo de transformar a festa num evento (a palavra é delas) único, a preparação de uma noiva dotada de dinheiro e tenacidade começa muitos meses antes do dia do casamento. "Depois do noivado, a primeira providência que tomei foi procurar uma nutricionista e me matricular na academia de ginástica para perder 11 quilos. Consegui", relata, apropriadamente orgulhosa, a engenheira química Renata Spallicci, 26 anos, de São Paulo, que passou um ano e meio se preparando para o casamento celebrado em agosto do ano passado. "Também fiz tratamento contra acne e estrias, clareei os dentes e pus megahair", lista. "Depois que a beleza se tornou uma exigência universal, espera-se que a noiva esteja perfeita. Ela se vê obrigada a contratar todos os tipos de serviço, com medo de decepcionar", avalia, do alto de sua excepcional experiência no assunto, a dermatologista Ligia Kogos. "O antigo dia da noiva se transformou no ano da noiva".
Aszmann
Acima de tudo, sorrir: além de se fazer linda, Carolina cuidou da festa

Em seu ímpeto de auto-aperfeiçoamento, Renata arrastou a família. Sua mãe, Martha, e a avó, Dorothy, fizeram dieta e aplicaram Botox. O noivo, Marcelo Cavaggione, engenheiro de 28 anos, entrou com um esforço extra na coreografia: ensaiou um mês para, de peruca black power, dar show imitando o cantor Sidney Magal. Exibições artísticas amadoras ou profissionais tornaram-se quase obrigatórias, sobrecarregando ainda mais a já puxada atuação, quer dizer, participação dos noivos. A professora Elayne Corrêa da Silva, 29 anos, do Rio de Janeiro (dez meses de tratamento para amenizar estrias e rugas de expressão), ia contratar a bateria de uma escola de samba para animar o baile, mas foi dissuadida pelo cerimonialista (tradução: organizador de festas): "Ele disse que era coisa batida e sugeriu chamar o MC Bochecha", conta Elayne. Incendiados pelo ritmo, os convidados caíram em peso no funk. Até Elayne entrou no bonde. Magérrima por natureza, a curitibana Elirane Johnsson, 24 anos, concentrou-se na performance para sua grande festa de casamento, no fim de fevereiro. Ela e o marido, o piloto de corrida Augusto Farfus Junior, 24, contrataram um professor de dança de salão e tomaram duas horas diárias de aulas durante dez dias. Até o vestido entrou na dança: a saia fechada foi trocada, às pressas, por outra mais leve e com fendas, para incrementar o efeito. Farfus, que mora em Mônaco, viajou até Milão para comprar, por 2.500 euros, um flamejante terno dourado Carlo Pignatelli, acompanhado de sapatos com as iniciais A e E pintadas (também em dourado) na sola. "Como a Liri cuidou de todo o resto, quis dar a minha singela contribuição com uma roupa diferente. Mostrei a cor antes, para que ela não se assustasse. No fim, todo mundo gostou", diz o piloto. Outro noivo esforçado – além de cantor diletante –, o médico cardiopediatra Ricardo Ribera, 37 anos, em seu casamento em Rio Branco, no Acre, caprichou na encenação para entoar a música-tema do filme Ghost em homenagem à noiva, Melissa Vieira. Mandou construir uma escada de sete degraus, iluminada, só para subir e descer durante a performance. "Foi inspirada em Miss Saigon", afirma ele.
Edison Caetano
Ribera canta para a noiva na escada iluminada: inspiração em Miss Saigon

O excesso de esforço pode ter efeitos colaterais negativos. "Muitas perdem peso demais, ficam abatidas, com mau hálito e sob o risco de desmaiar na hora H. E depois engordam tudo de novo", suspira Vera Simão, uma das mais ocupadas organizadoras de festas de São Paulo. Definitivamente, não é o caso da administradora de empresas mineira Amanda Miguel, 28 anos, que se casou em outubro de 2006 com o engenheiro Marcelo Fernandes. Linda, com um arzinho de Penélope Cruz, ela enfrentou com persistência todas as fases dos preparativos. "Um ano antes, fui ao endocrinologista. Perdi 10 quilos", conta. Na penúltima prova do vestido, tinha recuperado 1; o estilista recusou-se a alargar a roupa. Amanda emagreceu de novo. Também deixou o cabelo crescer, fez bronzeamento artificial e, um mês antes, submeteu-se a uma cirurgia a laser para reduzir a miopia. "Não posso usar lente de contato e não ia entrar na igreja de óculos", explica. Além de emagrecer, fazer ginástica, cuidar da pele e demais rituais (incluindo uma coisa chamada máscara de parafina, para as mãos), a publicitária carioca Carolina Cesar Coelho, 24 anos, enfrentou situações de alta tensão que bastariam para fazer qualquer noiva rodar a grinalda. As duas organizadoras que contratou com grande antecedência não corresponderam às expectativas; a quatro meses do dia D, dispensou-as e cuidaram, ela e a mãe, de tudo sozinhas. Na festa, duas madrinhas e dois amigos, mais empolgados nos drinques, baixaram no hospital. Nada que comprometesse o resultado geral – como toda família sabe, coisas bem piores acontecem nesse tipo de festividade (veja quadro).
Arquivo pessoal
Elayne cai no funk com as amigas: escola de samba já era
A síndrome da noiva estressada é perigosa. Patrícia Moinho Klein, publicitária, fez todo tipo de tratamento de pele (antiacne, laser, peeling) para chegar ao grande dia, em julho passado, com a tez iluminada. "Pois amanheci com uma espinha na bochecha que parecia uma bola. Passei o dia da noiva no consultório da médica", relembra. Dos preparativos de Patrícia, o mais inusitado foram seis meses de sessões semanais de RPG para adquirir postura condizente com o decote. "Quis um modelo inspirado no de Grace Kelly, com gola alta e transparência nas costas, na altura dos ombros. Minha estilista reparou que eu ficava corcunda e recomendou RPG", conta. Acostumado a operar noivas e mães de noivas quase toda semana, o cirurgião plástico carioca Carlos Fernando Gomes de Almeida acha que a data virou a desculpa perfeita, ou o empurrão final, para o bisturi há muito desejado. "Casamento agora é pretexto para resolver antigos complexos", diz. Mas é melhor não falar isso perto de nenhuma noiva nervosa.
Juninho Viegas/Paulo Filho
O ano da noiva: Amanda fez cirurgia a laser para corrigir a miopia
 
Fonte: Veja
 


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